quarta-feira, 17 de março de 2010

Dia a dia curto, normal e morto.

A gente tem que tá alerta! Eu já estou debaixo da coberta...
E o medo faz bastante gente se esconder
Lá fora faz um tempo o quê mesmo Zé? Confortável...
Lá fora faz um tempo confortável e a segurança cuida do normal
Não sei dizer o que é mais frio, se é o ar do meu próprio condicionador de ar
Ou se o vento que bate no telhado da casa
Mas, eu saberia dizer se a comparação fosse feita entre uma pedra fria de gelo
E o semblante de todos os assaltantes que andam na cidade escura às escuras
E isso é o normal...
Eu já até sei o que se passa na cabeça dos policias
Eles já estão acostumados a lidar com isso
Sabem todos os esquemas de negociação
Esquemas esses que eu nem sei como eu aprendi
Deve ter sido num desses papos de boteco
Boatos de boteco...
E isso é o normal...
A gente cuida disso também!
Sinuca, cerveja, samba e confusão
Esse é o dia na cidade, antes que escureça
Depois disso ela morre! Volta toda aquela dúvida sobre a temperatura
Não há mais nada vivo...
A não ser as casas que respiram
Como se fossem ursos hibernando toda noite
Se eu olhar pela fresta é como se visse um rastro de z
Cortando o céu, arrancado com aquele vento fraco
Alguns se arriscam caminhando, mas eu não!
E afinal de contas para onde eu iria?
Para o botequim, mas pra que?
Se eu já cansei daquela Brahma gelada, do coro da rapaziada
Da sensação de bem estar e de toda aquela putaria
Eu vou é ficar aqui e esperar a cidade terminar de morrer
Amanhã tudo morre de novo
Esse desânimo, essa noite fria
Esse cansaço, E volta toda a euforia!




Henrique Napolião Barreto

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