O pior inimigo de um homem é sua mente, e o que ela pode criar. Ao que me lembro, eu estava dentro do ônibus, voltando para casa, após mais um longo dia de aula. Estava sozinho no ônibus, sentado num dos últimos bancos. Era um dia como qualquer outro,não chovia, embora parecesse que o céu cairia dentro de algumas horas. Só havia além de mim no ônibus, um homem de terno e maleta, com aparência de grande empresário. A príncipio ignorei o fato de ele estar em um ônibus, mas ignorei. Coloquei meus fones de ouvido, liguei minhas músicas, num dos poucos momentos livres que tenho em meus dias.
Não demorei a cair no sono, já acostumado com o trajeto, sempre acordava um pouco antes de meu ponto. Não neste dia. Acordei num lugar escuro, com cheiro de mofo e poeira. Após tatear um pouco e bater a cabeça em algumas prateleiras, achei um interruptor. Apertei um botão, uma fraca luz surgiu no chão, como que formando uma linha, dando um tom sombrio ao quarto, que parecia abandonado há decádas. A parede na qual se encontrava a porta, sob a qual desaparecia a tal luz, era toda coberta por um espelho, desgastado pelo tempo. Apesar dos maus-tratos da idade, era um espelho bonito, e ao contrário do resto do quarto, estava bem limpo. No espelho, havia uma frase, escrita com algo que eu não pude identificar, devido à fraca iluminação. A frase dizia " Agora seu pesadelo toma vida."
Assustado, abri a porta, a pequena linha luminosa recomeçou seu caminho, como se esperasse pela minha presença. Percebi que estava em um corredor, mas este não tinha teto. Olhando para cima, vi nuvens carregadas, das quais caíam gotas pesadas e tempestuosas, numa sinfonia macabra com os raios e trovões. Corri pelo corredor, passando sempre por espelhos com a mesma mensagem, até que vi um com uma mensagem diferente, que dizia " Aquele que faz uma besta de si mesmo, se livra da dor de ser um homem". Pensando ter entendido a mensagem, chutei o espelho, quebrando-o. A linha luminosa invadiu o quarto, revelando um silhueta de uma pessoa. Reconheci ali o empresário que estava no ônibus, que sacou uma pistola de sua maleta, e se matou.
Invadi o quarto, num movimento espontâneo, como se tentasse evitar o suícido. Escutei o som do espelho se remontando atrás de mim. só então percebi que, quem quer que fosse aquele homem, eu o havia libertado ao assumir seu lugar.
Desejos, lembranças, planos de uma vida incompleta, enquanto espero ser liberto e acordar naquele mesmo ônibus, ouvindo as mesmas músicas.
O pior inimigo de um homem é sua mente, e o que ela pode criar.
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Baixou Jogos Mortais no Blog!!!!!!
ResponderExcluirMuito bom, parabéns!