Bem, parabéns, minha eterna professora. Há algum tempo não nos falamos. Não costumo ser nostálgico, ou dizer que sinto falta de alguma época de minha vida. Gosto de aceitar que tudo que passou, passou, e tento tirar o que posso e o que consigo de tais momentos, para ter boas lembranças deles depois. As lembranças nem sempre são boas. Mas, o que nessa vida que é sempre bom ?
Mas, não nego, sinto falta de suas aulas, de quando seus ''julhos'' somavam menos do que somam hoje. Não costumo sentir falta dos colégios que estudei. Não é não sentir. O Brasil ainda não tinha sido eliminado pela Holanda. Neymar ainda era só mais uma promessa. Restart ainda eram "os coloridinhos", e gostar deles era feio e bobo. A idade do Vinicius era desconhecida, eu saía de meus 15 anos, jurando me revoltar contra o mundo. Descobriram a idade, eu não me revoltei, Neymar cresceu, Restart ainda está aí, e Felipe Melo tomou a culpa da eliminação. Exemplos bobos, para uma simples frase. O tempo passou, minha professora. Muito, para mim. Para você, eu não sei.
Nós certamente não somos mais o que éramos naquela época. Você nos ensinava. Não sei se posso falar pelo resto daquela turma. Mas para mim não era só geografia, geopolítica, ou qualquer outra matéria que tenha sido discutida em sala. Não era uma aula qualquer. Não era uma professora qualquer. De nossos encontros tirei coisas que ainda levo comigo, e que pretendo continuar levando. Não me lembro de muitas partes da geografia. Dormi, sim, em mais de uma ocasião. Não lembro de tudo e mentiria em dizer que lembro. Mas o que eu lembro, me agrada até hoje. Bons tempos que passaram há tanto tempo, tão pouco tempo.
Eu usava um aparelho na coluna e você usava saias gigantes. Eu por trás de meus óculos, e você com seu all-star. Eu via, e vejo, em você, uma professora que extrapolava as barreiras da sala de aula. Uma pessoa que extrapola as barreiras da vida. Talvez fosse mera admiração pela irreverência. Não sei. Talvez fosse puramente admiração. 2010 me foi um ano diferente. Foi um ano novo. E eu gosto de lembrar que passei, mesmo que pequena parte dele, em suas aulas. Não costumo sentir falta de colégios, não costumo elogiar professores. Mas em tudo, se tem uma exceção. Você foi uma exceção, em um ano de "vocês precisam estar prontos para o vestibular !". Não sei se teria o mesmo fascínio, não fosse a interrupção repentina de suas aulas. Mas, novamente, não gosto de pensar no que poderia ter sido. Gosto de pensar no que foi. E foi algo único, ter você como professora.
Não acho que eu possa dizer algo que você nunca tenha ouvido, mas eu digo, que você seja sempre a extrapoladora de barreiras. Que sua presença seja sempre tão agradável e construtiva para tantos outros como foi para mim. Felicidades, professora. Mestra. Referência. Um feliz aniversário.
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